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Ver filmes amadores é engraçado, mas fazê-los é ainda mais cômico. Descubra aqui algumas curiosidades, mancadas, brigas, acidentes e loucuras diversas acontecidas nos bastidores das duas principais obras da Necrófilos Produções Artísticas. Se você já viu os filmes e encontrou outros furos que não estão registrados, colabore enviando um e-mail. Todos os furos e erros de continuidade serão acrescentados à relação. Divirta-se :


– ENTREI EM PÂNICO AO SABER O QUE VOCÊS FIZERAM NA SEXTA-FEIRA 13 DO VERÃO PASSADO (2001)
• A idéia de fazer este filme já era antiga, mas tomou forma nas férias de 2001, quando nem Felipe M. Guerra, nem Eliseu Demari (os homens por trás da Necrófilos Produções Artísticas) foram para a praia, preferindo ficar em casa para reassistir aos nove filmes (na época) da série "Sexta-feira 13". "Jason X" estreou logo depois.

• O sangue utilizado nas cenas de violência foi produzido com uma mistura de suco de groselha (um xarope grosso e melequento) com Coca-Cola, que dava uma cor mais escura ao líquido. Ficava perfeito na hora de jorrar, mas não "pegava" muito na pele ou nas facas... Nestes casos, era preciso usar um outro sangue mais profissional, chamado de "sangue teatral", que vinha em bisnaguinhas e custava a "pechincha" de R$ 10,00.

• O assassino de "Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado" , na verdade, foi interpretado por quatro pessoas diferentes. Além de Fábio Prina da Silva, também assumiram a máscara do matador os irmãos de Felipe, Diego e Rodrigo, e o amigo Paulo Dalle Laste, já que o xarope do Prina sempre acabava arranjando mil-e-uma desculpas para não poder filmar. É por isso que em algumas cenas o mascarado parece mais alto, ou mais magro, do que de costume.

• Quem gosta de catar erros de continuidade faz a festa em "Entrei em Pânico..." , e o Fábio Prina da Silva contribuiu para boa parte destes erros. É só reparar como seu personagem alterna cenas com barba e outras sem barba (e olha que a história se passa em uma única noite!!!). Isso sem contar a mudança de tênis para sapato, e vice-versa, de uma cena para a outra. Ou seja: um serial killer que troca de calçado a cada morte!

• Uma cena curiosa de "Entrei em Pânico..." é a da festa regada a álcool e drogas realizada na casa de Goti, no clímax do filme. Foi uma das últimas cenas a serem filmadas, e tanto Rodrigo quanto Diego, os dois irmãos de Felipe, estavam diferentes - Rodrigo tinha deixado o cabelo crescer, mas nas suas cenas no filme tinha o cabelo raspado; já Diego usa cavanhaque em todo o filme e no dia da filmagem da festa tinha cortado a barba e o cabelo. A solução foi simples, mas meio inexplicável: na festa, Rodrigo (que interpreta Goti) e Diego (Ido) usam chapéus de cowboy - e Diego, para disfarçar a falta de barba, também amarrou um moleton no pescoço, ficando parecido com aqueles bandidos do Velho Oeste!!!

• Ainda em "Entrei em Pânico..." , quando Goti (Rodrigo M. Guerra) vai com Ido (Diego M. Guerra) até a casa de Niandra (Niandra Sartori), Felipe quis filmar uma cena onde o automóvel conduzido por Ido passasse sobre a câmera. Na hora de fazer os cálculos, Diego jurava que o carro era mais alto que a câmera. Nenhum teste foi feito: a câmera foi ligada e deixada bem no meio da rua. Assim que Ido acelera e passa sobre ela, na fita só aparece um monte de chuvisco. É que o carro atropelou a câmera, fazendo-a rolar pela rua e quebrando o aparelho em vários pedaços. Felizmente, a destruição foi apenas parcial, as filmagens continuaram e a cena do atropelamento acabou no filme.

• A morte de Marcelo (Marcelo Ferranti) foi a única de "Entrei em Pânico..." que precisou ser filmada duas vezes. Felipe viu a primeira versão e achou que havia muito pouco sangue. Além disso, na primeira filmagem o ator derrubou, acidentalmente, uma garrafa de groselha por cima da câmera, obrigando o diretor a encerrar os trabalhos naquela noite para limpar a câmera. Na segunda versão, com o exagerado uso de sangue jorrando, foi preciso colocar um balde por baixo de Marcelo para recolher os litros de groselha usados.

• Ninguém sabia como Larissa (Larissa Mazocato) iria morrer em "Entrei em Pânico..." até a semana anterior à filmagem desta cena. Nem o próprio diretor e roteirista Felipe sabia. Acontece que a única exigência da atriz para participar do filme era que ela não se sujasse muito. Por isso, Felipe teve que inventar uma morte “light”: o assassino matou a coitada usando um bonequinho vodu! O boneco, diga-se de passagem, foi confeccionado pela própria Larissa, que não soube informar se ele realmente funciona.

• Andrius Berté, que interpreta o namorado de Cíntia (Cíntia Dalposso) em "Entrei em Pânico..." , quebrou um galhão para os produtores do filme. Na noite marcada para a filmagem, faltava encontrar um figurante para fazer esta cena, curta e aparentemente sem importância. Assim, Andrius foi chamado minutos antes do início das filmagens. Mesmo assim, ele não amarelou e assumiu o compromisso. A cena da sua morte, com serra elétrica e tudo mais, ficou tão boa que acabou estampando o cartaz e a capinha da fita, além de ser exibida no Fantástico! O que ninguém sabe é que ele quase morreu sufocado na cena em que o sangue jorra no seu rosto: Andrius tinha fita tapando sua boca e o suco de groselha entupiu suas narinas, quase matando o ator de verdade!!!!! A primeira coisa que ele falou quando Felipe encerrou a cena foi: "Tirem minha camisa que eu quero me lavar!!!!!!".

• Algumas cenas de "Entrei em Pânico..." foram cortadas para diminuir um pouco o tempo de duração do filme. Uma das mais divertidas mostrava Ido (Diego M. Guerra) e Eliseu (Eliseu Demari) assistindo a "Sexta-feira 13 - Parte 6" e recitando todos os diálogos de cor, antes mesmo de cada personagem dizer suas falas. Outra cena cortada mostrava Ido dando uma volta na boate onde acontecia a festa de formatura da turma. Ele toma uma dose de absinto e começa a ver tudo em "negativo".

• Vários elementos de "Entrei em Pânico..." , o roteiro, foram mudados na hora das filmagens. A mudança mais substancial foi na cena envolvendo Tati (Tatiana Mantovani) e Mathias (Mathias Gusso). Foi uma das últimas cenas a serem filmadas, por isso acabou-se fazendo no improviso, de qualquer jeito mesmo. Mas, no roteiro, era mais longa e emocionante. Ao contrário do que é mostrado no filme, Tati travaria um longo diálogo com o matador pelo celular, depois seria perseguida pelo assassino no meio do mato e só então correria para o carro, onde encontraria Mathias, estripado, debaixo do veículo. O assassino então mataria Tati brutalmente (e não fora da cena, como aconteceu no filme) e ainda aniquilaria um pescador, que passeava por ali, com facadas no rosto. Esta seqüência foi cortada porque era apenas uma cena gratuita de violência.

• Por sinal, a cena que mostra Mathias (Mathias Gusso) estripado usou vísceras reais de porco. Na véspera da filmagem, Felipe foi até a casa de um produtor rural, conhecido matador de porcos para fazer salames e copas, e lhe deu R$ 5,00 por alguns metros de tripa seca. Para os leigos, a tripa é seca para que a carne possa ser colocada por dentro, na confecção do salame. No dia da filmagem, Felipe encheu a tripa de água e apavorou Mathias, que não sabia de nada. "O que é isso aí? Cai fora, meu! Que nojo! Tu não vai botar isso aí em cima de mim!", foi a resposta do ator. Assim, Felipe teve que improvisar e colocar as tripas não por cima do cadáver, mas ao lado.

• Outra cena que está no roteiro, mas foi cortada na hora H, era engraçada: quando o assassino está sobre Eliseu (Eliseu Demari) e é atingido nas costas por uma machadada desferida por Niandra (Niandra Sartori), ele deveria cuspir uns trinta litros de sangue direto na cara do pobre Eliseu, por baixo. A cena seria uma citação ao desespero de Bruce Campbell em "Evil Dead", quando ele leva um verdadeiro banho de sangue na cara. Mas na hora Eliseu não quis fazer a cena, alegando que iria se melecar muito, e ela foi mudada.

• A entrevista dada por Fabiano (Fabiano Taufer) ao repórter (Leandro Facchini) de uma emissora de TV gaúcha também foi bastante editada. Pelo roteiro, Fabiano dava uma verdadeira aula sobre o cinema de horror, falando sobre filmes de terror japoneses, Zé do Caixão, a série "Sexta-feira 13" e Lucio Fulci. Esta versão foi filmada, mas acabou sendo bastante editada porque iria ficar chata demais se usada na íntegra.

• Nesta entrevista, Felipe aproveitou para homenagear um filme praticamente desconhecido, mas que ele gosta muito. O repórter pede a Fabiano onde ele guarda as raridades da coleção, e o rapaz abre um armário de onde tira uma cópia de "O Mutilador", um filme de 1984 com uma cena fantástica: o assassino enfia um gancho de pesca gigantesco na vagina de uma garota e torce, fazendo jorrar um rio de sangue. A cena é tão forte que nem o próprio Felipe agüentou quando viu o filme pela primeira vez. Hoje, ele sonha fazer algo parecido em uma de suas próximas produções. Só falta achar uma atriz que se sujeite...

• O próprio Felipe queria fazer o personagem de Fabiano, já que a coleção de 800 filmes de terror é dele na vida real. Além disso, ele também é realmente o irmão de Rodrigo M. Guerra (Goti). Mas decidiu que teria menos liberdade para filmar se atuasse, e resolveu ficar apenas atrás das câmeras, chamando Fabiano Taufer, o astro de “Patrícia Gennice”, para esta participação especial.

• Felipe também homenageou seus filmes preferidos logo na primeira cena, quando Cíntia (Cíntia Dalposso) diz para o assassino que vai ver alguns filmes de horror com o namorado, "umas tralhas que ele pegou na locadora", segundo a personagem. Os filmes são "A Hora do Pesadelo", "Halloween", "Demons" e "Ratos", quatro obras-primas do horror que Felipe já viu umas 500 vezes.

• O “uísque” que os personagens bebem na maioria das cenas de "Entrei em Pânico..." era, na verdade, um vinho branco azedo. Na cena em que Ido (Diego M. Guerra) toma doses e mais doses de cachaça, ele na verdade estava bebendo guaraná (embora tenha entornado algumas cachaças de verdade). Toda a maconha fumada durante o filme era nicotina - apesar de alguns atores serem apreciadores contumazes da velha e boa Cannabis sativa . Já a cocaína mostrada em cena era farinha de trigo. No close do canudo puxando o pó, o ator não estava cheirando, e sim aspirando a farinha com a boca!!!

• Quando o filme foi exibido no cinema de Carlos Barbosa, as maiores reclamações não foram pela violência excessiva e pelo sangue, mas sim pelo uso indriscriminado de drogas pelos personagens. Felipe explicava dizendo que o filme é uma sátira aos filmes de horror, onde os personagens drogados eram os primeiros a morrer. Como em "Entrei em Pânico..." todo mundo se drogava, ninguém iria adivinhar quem morria e quem vivia.

• Difícil era explicar para os espectadores fora da região onde o filme foi produzido o que queriam dizer expressões típicas do interior do Rio Grande do Sul, herança dos imigrantes italianos. O xingamento "pórco dio" , por exemplo, é usado na maior parte do filme. Trata-se de uma blasfêmia, algo como "Deus porco", que o pessoal de mais idade ainda fala por aqui, e a garotada acabou adotando por brincadeira.

• A cena do banho de Goti (Rodrigo M. Guerra) foi totalmente improvisada. Segundo Felipe, todos os filmes de horror têm cenas de banho que nada acrescentam à história, sempre com peitudas gostosonas. Assim, só para avacalhar, ele resolveu colocar também uma cena de banho, mas com um cara! Apesar de parecer nu, Rodrigo estava de cueca debaixo do chuveiro, porque tinha medo de Felipe filmar ele peladão e usar na edição final!!!

• Uma das cenas mais engraçadas de "Entrei em Pânico..." acontece no começo, quando o assassino esfaqueia Cíntia (Cíntia Dalposso) e, somente alguns segundos depois, um jato de sangue esguicha, acertando-o na máscara, e fazendo com que o matador solte um afeminado “Ui!”. Isso não estava no roteiro: Fábio Prina da Silva, que interpretava o assassino, conta que o jato de suco de groselha entrou pelo buraco do olho direito da máscara, por isso ele soltou o "Ui!”. Outras tomadas foram feitas, mas esta acabou ficando mais engraçada e foi a usada na edição final, tornando a cena ainda mais engraçada.

• O ator Marcelo Ferranti quase provocou um infarto no diretor Felipe em um sábado à noite. Tudo estava acertado para a filmagem de uma cena crucial envolvendo o assassino (Fábio Prina da Silva), mais Eliseu Demari e Niandra Sartori. Todos estavam a postos, quando Marcelo liga dizendo que não poderia participar. Ele havia convidado a também atriz Kátia Hoffelder Dalcin para ir ao cinema. Felipe logo encheu Marcelo de desaforos, mas ele ainda tentou justificar: “Cara, eu convidei ela para ir ao cinema, mas achei que ela não ia aceitar!”.

• Fábio Prina da Silva se cortou de verdade na cena da morte de Tomás (Tomás André Zilli). Na seqüência, a vítima está amarrada em uma cadeira e o assassino pega um estilete para “fazer o serviço”. Como a máscara não permite enxergar muita coisa, Prina acabou agarrando o estilete pelo lado da lâmina e cortou o dedo. A cena não foi usada no filme, mas iria ficar engraçada.

• Outro acidente nas filmagens, registrado em fita, aconteceu com Eliseu (Eliseu Demari), na cena em que ele e Niandra correm para o carro após escapar da casa. A câmera acompanha Eliseu até ele entrar no carro e fechar a porta. Como isso era feito muito na corrida, o ator prendeu o pé na porta ao fechá-la. Aí a cena ficou assim: Eliseu correndo, batendo a porta do carro e gritando, desesperado: "Ai, meu pé!!!”.

• Houve momentos de desespero na reta final das filmagens de "Entrei em Pânico..." . Era outubro e a principal atriz, Niandra Sartori, estava atarefada com os cursinhos pré-vestibulares. Ela foi morar em Caxias do Sul, há vários quilômetros de Carlos Barbosa, e encontrá-la tornou-se uma tarefa mais complicada. Felipe chegou ao cúmulo do desespero e cogitou mudar todo o roteiro no improviso, como se Niandra fosse morta pelo assassino, e os sobreviventes seriam Eliseu (Eliseu Demari) e Marcelo (Marcelo Ferranti). Com medo de que o final ficasse muito gay sem a presença feminina, Felipe desistiu desta idéia.

• Na primeira cena do filme – a conversa entre o assassino e Cíntia (Cíntia Dalposso), satirizando o filme "Pânico" –, o matador é dublado pelo próprio diretor, Felipe M. Guerra, para que o espectador não reconhecesse de cara a voz de Fábio Prina da Silva.

• Foi improvisada a cena em que Marcelo (Marcelo Ferranti) encontra o crânio de Tati (Tatiana Mantovani) e vomita. Isso não estava previsto no roteiro, mas Felipe achou que seria legal Marcelo encontrar um corpo todo mutilado. Na hora de editar o filme, percebeu que tinha as cenas com Marcelo assustado e vomitando, mas esqueceu de filmar o tal corpo mutilado que o rapaz veria no chão!!!! Como não havia tempo para fazer novas cenas, Felipe resolveu simplesmente filmar de forma improvisada uma caveira de gesso que tinha em casa, só para quebrar o galho, mas o resultado ficou terrível.

• A cena em que Eliseu (Eliseu Demari) encontra o corpo de Tomás (Tomás André Zilli) sem uma gota de sangue (que foi todo escoado para o chão) é uma homenagem a "Halloween 2". Como no filme norte-americano, Eliseu escorrega no sangue, cai e bate a cabeça, desmaiando. Infelizmente, a cena do tombo ficou muito falsa, ao contrário da magnífica queda do personagem de "Halloween 2".

• Quando Felipe marcou a primeira exibição pública de “Entrei em Pânico...” , em dezembro de 2001, no Cine Ideale (a sala de cinema de Carlos Barbosa), o filme nem estava pronto ainda. O diretor só acabou de fazer a edição na madrugada. “Entrei em Pânico...” estava concluído às cinco da manhã daquele domingo, mas Felipe nem dormiu: levou a fita diretamente para o cinema com o objetivo de testar a projeção das imagens no telão, e aí aproveitou para assistir todo o filme novamente.

• Inicialmente, estava marcada apenas uma sessão de “Entrei em Pânico...” . Tanto os produtores quando os administradores do cinema se surpreenderam com a fila que formou-se para assistir ao filme. Foi preciso agendar uma nova sessão logo depois, às 22h30min, novamente com sala lotada. A lotação do cinema era de 130 lugares.

• Rodrigo M. Guerra (Goti) demorou mais de uma hora para filmar uma cena que, na edição final, não dura um segundo! Trata-se da homenagem do roteirista Felipe a uma cena de "O Exorcista" que ninguém lembra, onde o padre se assusta quando o telefone toca às suas costas. Na cena de "Entrei em Pânico..." , Goti caminha desconfiado pela sala de sua casa e leva o maior cagaço quando o telefone toca. Só que Rodrigo simplesmente não conseguia parar de rir depois de simular o susto. Mesmo quando todos os xeretas que acompanhavam as filmagens foram retirados da sala, ainda assim o "ator" se mijava de rir depois de levar o susto!

• Na única cena romântica entre Goti (Rodrigo M. Guerra) e Niandra (Niandra Sartori), um beijo do casal é atrapalhado quando o rapaz derruba, acidentalmente, uma garrafa de champanhe de cima da mesa. Originalmente, ele deveria ter beijado mesmo a Niandra. A interrupção do beijo pela queda da garrafa foi uma imposição da namorada de Rodrigo, que foi pedir permissão para beijar Niandra no filme – obviamente, negada pela zelosa esposa.

• Quando Goti (Rodrigo M. Guerra) encontra Eliseu (Eliseu Demari) e Marcelo (Marcelo Ferranti) chapados e assistindo filmes na sala da sua casa, um dos amigos confessa que eles quebraram, acidentalmente, algumas das fitas da coleção de seu irmão Fabiano (Fabiano Taufer). Originalmente, a cena dos dois rapazes chapados deixando as fitas caindo no chão e quebrando estava no roteiro e seria mostrada em flashback, mas Felipe simplesmente se esqueceu de filmá-la!

• Felipe queria usar um filme pornográfico real na cena em que Eliseu (Eliseu Demari) e Marcelo (Marcelo Ferranti) se deliciam após encontrar uma produção X-rated escondida no meio dos filmes de terror do irmão de Goti. Até foi filmada uma cena onde Eliseu delira assistindo a parte de um pornô barra-pesada (a seqüência mostrada era de dupla penetração). Achando que o choque seria muito grande nas tradicionais famílias de Carlos Barbosa, o diretor cortou a cena do filme. Na cena, filmada, Eliseu declarava, maravilhado: “Nunca vi tanto pau e tanta buceta de uma vez só!”.

• Na filmagem da brincadeira com o Show do Milhão , onde as universitárias (Kátia Dalcin, Clarissa Vieira Flores e Cristiane Bristot) são trucidadas pelo assassino, um pássaro invadiu o local das filmagens (uma casa de sítio) e Felipe não conseguiu tirá-lo de lá de dentro, pois a ave sempre retornava. Assim, decidiram deixar o bicho solto (no bom sentido). Os bons observadores perceberão, na cena em que o assassino ergue uma mão decepada, que um pássaro voa de um lado para o outro ao fundo.

• A cena da concentração para a festa de formatura consome pouco mais de três minutos do filme. Mas Felipe deixou seus atores à vontade para fazerem de conta que estavam em uma verdadeira festa, tomando trago à vontade, usando drogas e aprontando o que viesse à cabeça. No total, a filmagem dos improvisos dos atores rendeu 25 minutos de gravação. Depois, Felipe apenas selecionou as partes mais engraçadas. Nada do que foi exibido estava previsto no roteiro, tudo foi improvisado na hora, sob efeito de álcool.

• A idéia original do roteiro era que o assassino usasse uma máscara diferente para cada assassinato, e não apenas a máscara do matador de "Pânico". Felipe desistiu da idéia quando viu como Fábio Prina da Silva ficava ridículo com a máscara de Jason – da série “Sexta-feira 13”.

• O roteiro também brincava mais com a identidade do assassino, fazendo o espectador suspeitar que o matador fosse Fabiano (Fabiano Taufer), o irmão de Goti. Originalmente, Geison (Fábio Prina da Silva) aparecia ferido com uma facada no peito dizendo que tinha sido atacado por Fabiano. Assim, Marcelo (Marcelo Ferranti) e Niandra (Niandra Sartori) seriam enganados, acreditando ser mesmo Fabiano o autor dos assassinatos. Na hora de filmar, Felipe achou que era muita lenga-lenga e mudou tudo.

[NOVO] Fábio Prina da Silva foi contatado pelo ICQ, pelo diretor Felipe M. Guerra, para ser o assassino do filme. Na hora de trovar Prina, tentando convencê-lo a participar, o diretor apelou para a adoração do ator por “O Silêncio dos Inocentes”, dizendo que o papel de Geison era “uma mistura de Hannibal Lecter com o Jason, de Sexta-feira 13". Prina engoliu...

[NOVO] Na cena da morte de Tomás (Tomás André Zilli), Felipe não conseguia colar a torneira no pescoço do "ator". Solução: deitou Tomás no chão com cadeira e tudo e botou a torneira de pé sobre o seu pescoço. Depois, virou a câmera e filmou a cena como se Tomás estivesse sentado na cadeira. E não é que ficou bom???

[NOVO] Antes de morrer, Tomás abre as portas do armário da despensa e pega um vidro de pepinos e uma lata de sardinha. Quem tem olho vivo pode ver que numa das portas do armário está colado um cartaz do filme “Patricia Gennice” , dirigido por Felipe M. Guerra em 1998.

[NOVO] A cena em que Goti (Rodrigo M. Guerra), Marcelo (Marcelo Ferranti) e Eliseu (Eliseu Demari) ficam chapados no sofá da sala e rolam de tanto rir dura 40 segundos no filme, mas a filmagem se estendeu por três minutos!!! Os três chegaram a lamentar que a barriga doía de tanto rir. Detalhe: a maconha usada nesta cena NÃO era real!!!! Apesar disso, os três riram muito, e de verdade. O tapa que Goti dá na bunda de Marcelo não estava no roteiro e foi improvisado pelo "ator" – é só perceber a cara de surpresa muito realista que Marcelo faz após a agressão.

[NOVO] Na cena em que Goti (Rodrigo M. Guerra) e Niandra (Niandra Sartori) estão no quarto, naquele clima, era para a música "Ruído Rosa", do Pato Fu, ser usada na íntegra, e não apenas a introdução. Pelo roteiro, enquanto a música tocava, a câmera saía do quarto onde os dois estavam e mostrava Eliseu (Eliseu Demari) e Marcelo (Marcelo Ferranti) na sala, assistindo TV, e os outros convidados da festa. Julgando que iria ficar muito chato, Felipe encurtou a cena.

[NOVO] Goti se mijava de rir na hora de olhar para a câmera e dizer: "Eu sou gatão, eu sou gatão". A cena precisou ser refeita pelo menos 900 vezes, e consumiu metade de duas fitas de meia hora.

[NOVO] O final do filme, com o carro levando embora os sobreviventes e o assassino brandindo o machado, é uma homenagem ao final de "O Massacre da Serra Elétrica", um dos filmes preferidos de Felipe.

[NOVO] A introdução usando os letreiros do filme "A Bruxa de Blair" foi improvisada por Felipe M. Guerra na edição do filme, pois não estava no roteiro.


– PATRICIA GENNICE (1998)
• A história por trás do nome deste filme é um verdadeiro mito. Felipe queria fazer um filme com nome de mulher desde que assistiu "Jackie Brown", de Quentin Tarantino, e se emocionou. Assim, resolveu fazer uma personagem chamada Patricia Gennice , que é um anagrama do nome de uma ex-namorada – anagrama é quando as letras de um nome são misturadas e usadas para criar outro nome.

• Pouca gente sabe, mas "Patricia Gennice" , o filme, era, originalmente, um conto escrito por Felipe, com cenas bem mais exageradas do que as mostradas no filme. Após o sucesso da produção cinematográfica, Felipe teve moral suficiente para publicar seu conto original, em capítulos, no jornal da cidade. Em tempo: ao contrário do filme, no final do conto o personagem principal se ferra e não fica com a mulher. O diretor mudou o final para a versão cinematográfica porque queria fazer uma história onde "o amor vencesse tudo".

• O roteiro sofreu inúmeras mudanças durante as filmagens. Tantas mudanças que o filme está quase totalmente diferente do roteiro! Lá pelas tantas, até anjos e demônios entraram na história!

• Primeira produção é foda: Felipe teve que penar muito para convencer o pessoal a participar de um filme... Tanto que os dois papéis mais delicados – um homossexual superdotado e um travesti – tiveram que ser feitos pelo próprio diretor, já que ele não conseguiu ninguém para fazê-los. Depois de interpretar o travesti Luana duas vezes (a primeira filmagem teve que ser refeita), Felipe jurou nunca mais se vestir de mulher na vida.

• Fabiano Taufer assumiu o sacrifício de interpretar Lucas, o herói do filme. Ele participaria de 100% das cenas, já que seu personagem aparece no filme inteiro. Todas as filmagens eram feitas de madrugada, pois o filme se passa em uma única noite, e bem tarde para não alertar a polícia, já que os atores andavam com facas e revólveres reais pelas ruas da cidade.

• Felipe chegou a filmar uma cena inteira usando outro ator no papel principal, Alberto Chies. O problema é que Alberto, ou Beto como é conhecido, resolveu abrir um bar dias depois, inviabilizando sua participação nas filmagens e forçando o diretor a encontrar um substituto.

• Foi neste filme que Eliseu Demari (que interpreta Fábio) entrou como co-produtor na Necrófilos Produções Artísticas. Ele emocionou-se quando leu o roteiro e resolveu ajudar, bancando alguns custos.

• Sem idéia das dificuldades de filmagem, Felipe escreveu longas e detalhadas cenas para “Patrícia Gennice” . Na hora de filmar era um Deus nos acuda, pois o diretor queria fazer tudo de primeira, ao invés de filmar uma mesma cena em dois ou três dias diferentes. Assim, era comum começar a filmar às oito da noite e acabar só às duas da madrugada, para o terror dos atores – especialmente aqueles que se sujavam de sangue.

• Quando “Patrícia Gennice” começou a ser fil

mado, ainda não havia sido encontrada uma atriz para fazer o papel-título, que deveria ser o da “mulher mais linda de Carlos Barbosa”. Foi o galã Fabiano Taufer que convenceu a amiga Franciele Mazetti a fazer o personagem.

• As primeiras cenas de “Patrícia Gennice” foram filmadas com a câmera do pai de Alexandre Bavaresco, um amigo de Felipe, que inicialmente iria interpretar o maconheiro Alexandre (o nome igual é apenas coincidência), mas pulou fora. Isso aconteceu porque Felipe ainda não tinha uma câmera. A única exigência de Alexandre para emprestar a câmera era participar de todas as filmagens. Após usar a câmera (e o Alexandre) em quatro oportunidades, Felipe desistiu, pois tinha que conciliar os seus horários com o dos atores e o do “cameraman”. Foi quando o diretor percebeu que só conseguiria acabar o filme se comprasse uma câmera. Gastou R$ 800,00 das suas economias e comprou uma à vista. Assim, foi possível concluir as filmagens sem mais interrupções. As cenas filmadas por Alexandre foram usadas na edição final, sem crédito, apenas um agradecimento no final.

• Fabiano Taufer, que interpretou Lucas, quase largou tudo e pediu “demissão” em uma cena onde precisava ficar algemado a uma cadeira, todo sujo de sangue, na traseira de uma caminhonete. O veículo subia um morro na contramão neste cena. Na hora de filmar, um outro carro descia sem nem imaginar que uma produção cinematográfica estava sendo feita no local. Volnei Nunes, que interpretou Dani, o motorista da caminhonete, fez um malabarismo para não bater no carro e Fabiano caiu sobre a cadeira, machucando as costelas. A cena saiu meio fora de foco, pois Felipe ficou apavorado com o risco de acidente e tremeu bem na hora! Quando pediu para fazer de novo, Fabiano ficou puto da cara: “Eu não faço mais nada, porra, eu vou para casa, porco dio!”. Foi preciso muito papo para convencê-lo a continuar (o relógio já marcava uma ou duas horas da madrugada), mas a cena não foi refilmada e acabou sendo usada no filme, inclusive com a câmera tremendo quando a batida entre os dois carros era iminente.

• Uma cena inteira onde o traficante Magrão (Evandro Pizzoli) prepara e cheira várias carreiras de cocaína foi eliminada do filme. Tudo porque Felipe esqueceu de tirar as legendas com data e hora na filmadora, na hora de filmar, o que inviabilizou sua utilização.

• A filmagem da cena de Luana teve que ser refeita porque Daniel Guerra, que interpretava o capanga Garnizé, sofreu um acidente de carro e teve que fazer pontos cirúrgicos na cabeça. Felipe estava com as filmagens atrasadas e resolveu cortar Daniel do filme, colocando outro ator, Márcio Dalcin, como Thompson, um segundo capanga, que explicava o sumiço de Garnizé.

• Boi (Gustavo Ghiddini), que assalta o personagem principal no início do filme, também iria participar da cena da Luana, mas cortou o cabelo muito curto (na cena que tinha sido filmada, ele tinha cabelo comprido). Por isso, também acabou sendo eliminado do filme!

• Gustavo Ghiddini, por sinal, apavorou a equipe numa das primeiras cenas filmadas, justamente aquela em que ele assalta Lucas (Fabiano Taufer). Como Gustavo não tinha qualquer experiência com atuação (a exemplo do resto do elenco), resolveu tomar umas cachaças para descontrair. Só que ele tomou demais e ficou azul de tão bêbado. Na hora de filmar, não conseguia nem segurar a arma na mão. Mesmo assim, Felipe tentou seguir adiante. Pararam apenas quando Gustavo vomitou, por pouco não atingindo a câmera, e aí toda a filmagem daquela noite foi refeita posteriormente. Gustavo foi deixado dormindo no local das filmagens, nos fundos da Igreja de Carlos Barbosa.

• À medida que Lucas (Fabiano Taufer) vai sendo torturado e espancado ao longo do filme, sua camisa fica toda ensangüentada e rasgada. Coitado do ator Fabiano, que a cada filmagem precisava colocar novamente a mesma camisa fedorenta, que nunca foi lavada e continuava toda melecada de sangue. Para dar mais autenticidade, ele recebia um novo banho de suco de groselha no início de cada filmagem.

• Em uma cena particularmente difícil – o assassinato de Fábio (Eliseu Demari) por Antônio Mastros (Mathias Gusso) em uma escadaria – teve uma atração extra. Enquanto Felipe filmava Eliseu cuspindo sangue e desfalecendo nos degraus, percebeu que uma grande platéia assistia às filmagens. Eram moradores de um prédio próximo, que foram alertados pela barulheira e correram para as sacadas para conferir o que estava acontecendo. Sorte que não chamaram a polícia, pois Gusso empunhava um revólver calibre 38 de verdade, para dar mais realismo à cena – mas descarregado, obviamente.

• Pouca gente percebeu, mas o nome Antônio Mastros é uma brincadeira com Antonio Banderas.

• Aliás, Mathias criou um bordão que pegou entre os jovens de Carlos Barbosa na época. Quando Antônio Mastros se prepara para esfaquear Lucas (Fabiano Taufer), ele diz: “Tome isso!”, frase que não estava no roteiro e foi improvisada por Mathias. Até hoje tem gente que olha para o ator e diz: “Tome isso!”.

• O detalhe de Antônio Mastros (Mathias Gusso) usar smoking foi uma imposição do diretor Felipe, já que Mathias não estava muito a fim de se vestir bonitinho. Isso porque, pelo menos na cabeça do roteirista, Mastros deveria ser um matador refinado e de classe. Já o fato do matador estar sempre fumando charuto foi imposição do próprio ator, que era chegado no fumo.

• Curiosidade: Mathias também interpretou um matador profissional, que se vestia bonitinho e fumava charuto, em “Ponto de Ebulição” , um filme experimental feito em uma única tarde por Felipe e companhia. Na época, seu nome era apenas Killer. Posteriormente, Mathias passaria de matador a vítima em “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado” (2001). Ele foi o único ator a participar de todas as produções da Necrófilos, já que também apareceu no raríssimo “Noite da Punheta Assassina” , de 1995. Pessoalmente, Mathias se orgulha de ser um grande canastrão.

• O roteiro de “Patrícia Gennice” tinha uma cena divertida onde Lucas (Fabiano Taufer) encontrava um rapaz misterioso chamado Sade no Câmi’s Bar, antes de ter suas roupas roubadas por Ana (Fabrícia Taufer). Sade iria assustar Lucas citando trechos de “Dissertação do Papa Sobre o Crime Seguida de Orgia”, um famoso livro do Marquês de Sade. A cena só foi cortada porque na hora da filmagem não foi possível encontrar alguém para fazer o personagem.

• Felipe quis porque quis colocar uma cena de roleta russa no filme para homenagear um dos seus filmes preferidos, "O Franco-Atirador", de Michael Cimino. A cena tornou-se clássica porque Thompson (Márcio Dalcin) enfia o cano do revólver, acidentalmente, dentro da sua própria orelha!

• A primeira exibição pública de “Patricia Gennice” foi marcada para um domingo de dezembro de 1998, no bar Beco do Rock – o tal bar que pertencia a Alberto Chies, a primeira pessoa cogitada para o papel principal do filme. Felipe acabou as filmagens no sábado anterior à exibição, e concluiu a edição do filme uma hora antes do horário marcado para sua exibição no bar, quando um bom público já estava lá esperando!!! Ele repetiria uma loucura semelhante dois anos depois, no lançamento de “Entrei em Pânico...” .

“Patricia Gennice” é um filme com dois finais ligeiramente diferentes. Pelo roteiro, quando Lucas (Fabiano Taufer) chegava todo arrebentado e sujo à casa de Patrícia (Franciele Mazetti), ele se ajoelhava e dizia: “Eu posso explicar tudo!”. A garota, então, respondia: “Por que você demorou tanto?”, e eles se abraçavam apaixonadamente. Este diálogo foi filmado, mas na hora da edição final Felipe esqueceu de colocar Patrícia dizendo “Por que você demorou tanto?”, colocando apenas Lucas ajoelhado e logo depois o casal se abraçando. Mas há cópias do filme circulando com cenas adicionais, montadas de improviso por Felipe, inclusive com este último e esquecido diálogo.

• Em 2001, para aproveitar a produção de seu novo filme, “Entrei em Pânico...” , Felipe decidiu remontar “Patricia Gennice” , cortando algumas partes que tinham ficado ruins e adicionando outras que tinha deixado de fora (como o diálogo do final), além de trocar toda a trilha sonora. Fez isso para exibir a nova versão de “Patricia Gennice” no cinema de Carlos Barbosa, mostrando, antes, um trailer provisório de “Entrei em Pânico...” (havia poucas cenas, pois o filme ainda estava em produção). A sessão foi beneficente, com a entrada custando um quilo de alimento não-perecível.

• Depois de perceber a dificuldade que era fazer um filme cuja história se passasse em uma única noite, pela dificuldade de manter os atores com o mesmo corte de cabelo, a mesma roupa, etc., Felipe jurou que jamais criaria uma história assim novamente. Só que o posterior "Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado" (2001) também se passa em uma única noite, e Felipe teve novamente os mesmos problemas de atores mudando o cabelo ou a barba. Terá aprendido a lição???

[NOVO] No roteiro, o final de "Patricia Gennice" seria diferente: depois que a porta se fechava para o beijo de Lucas (Fabiano Taufer) e Patricia Gennice (Franciele Mazetti), a câmera lentamente se afastava da casa e mostrava El Pissõn (Felipe M. Guerra) entristecido, jogando no chão o ramalhete de flores que daria a Lucas, e declarando: “É, já vi que perdi a viagem”. Envergonhado e disposto a não repetir o papel de veado, Felipe cortou este engraçado final – e se arrepende até hoje, pois o final do filme ficou borocoxô.


– PROJETOS ENGAVETADOS (1999-2000)
• Com pouco tempo de existência, a Necrófilos Produções Artísticas já tem dois filmes não concluídos. O primeiro foi "Escrito nas Estrelas" , uma história pra lá de ambiciosa que seria filmada logo após o sucesso de "Patricia Gennice" . As primeiras cenas começaram a ser feitas em 1999. Para dar uma idéia da "grandeza" do projeto, cenários inteiros de quartos dos personagens foram construídos!!! O problema é que "Escrito nas Estrelas" era uma história complicadíssima misturando um jornalista free-lancer, um casal de prostitutas lésbicas, um telepata, um cartunista drogado, traficantes, padres assassinos e por aí vai. Para piorar, incluía cenas de perseguições de carro e violentos tiroteios. Para um segundo longa-metragem, era um pouco demais. Por isso, o projeto foi arquivado. Mesmo assim, cerca de vinte cenas foram filmadas com os atores Fabiano Taufer, Eliseu Demari e Gérson Dalcin, inclusive um incêndio provocado pelo herói, acidentalmente, na sua coleção de revistas pornográficas e uma visita a um bar lotado, onde uma verdadeira multidão participou como coadjuvante.

• Outro filme arquivado começou a ser feito em 2000. Não tinha título e nem roteiro, apenas uma história básica, em cima da qual o diretor Felipe M. Guerra inventava os diálogos na hora. Gustavo Zanuz (que já tinha atuado em "Ponto de Ebulição" e "Patricia Gennice" ) seria o herói da trama, que basicamente era uma comédia romântica sobre um rapaz apaixonado que largava sua namorada para correr atrás de uma gata que, julgava ele, estava lhe dando bola. No final, ele se ferra, tenta voltar para a namorada e a encontra com outro. Trata-se de uma história auto-biográfica. Várias cenas foram filmadas, inclusive o coitado do Gustavo passeando dentro de um salão de baile lotado com uma rosa na mão (a gozação foi grande). Mas o projeto acabou arquivado, até pela bagunça devido à falta de um roteiro.

• A Necrófilos também tem dois roteiros inacabados, que esperam apenas pela boa vontade de Felipe M. Guerra para serem finalizados e filmados. O primeiro chama-se "Puteiro Sangrento" e é uma continuação não-autorizada de "Um Drink no Inferno", sobre quatro amigos que resolvem fazer uma despedida de solteira para um rapaz que vai se casar... só que as putas são vampiras vindas diretamente do bar Titty Twister, mostrado no filme de Robert Rodriguez! Felipe também começou, mas não acabou, o roteiro de "Enigma" , que era para ser um filme de terror sério, à la "A Bruxa de Blair", sobre quatro restauradores que vão trabalhar em uma igreja abandonada e despertam um demônio adormecido. Este começa a possuí-los, fazendo com que se matem uns aos outros (na linha de "Evil Dead"). Interessantes cenas de delírios foram criadas por Felipe, mas o projeto segue adormecido.


[NOVO]
– PONTO DE EBULIÇÃO (1996)
• A história por trás das filmagens de "Ponto de Ebulição" é chocante: Eliseu Demari, colega de trabalho do diretor e roteirista Felipe M. Guerra, ouvia desde 1995 histórias sobre filmes que seriam feitos, mas no fim nunca saíam do papel, e então resolveu checar o que estava acontecendo. Felipe, que não gostava de ser provocado, muito menos chamado de mentiroso, disse que ia fazer um filme só de raiva. Eliseu apostou o contrário. Estava marcado o início do primeiro filme barbosense, e a criação da Necrófilos Produções Artísticas.

• O termo de aposta foi assinado: pelas regras, Felipe teria dois dias – um final de semana – para fazer um filme com em torno de trinta minutos. Julgou que seria tempo necessário, afinal, tinha atores e um roteiro já escrito. Ele convidou os atores na véspera das filmagens e ainda passou uma trova: disse que iria ganhar R$ 50,00 se fizesse o filme, quando na verdade o prêmio eram duas fitas VHS virgens.

• O nome Necrófilos Produções Artísticas na abertura de "Ponto de Ebulição" foi originado por dois fatores. Primeiro, o gosto pelo macabro, que marca esta primeira produção e se estenderia aos outros filmes. Segundo, uma homenagem à banda de punk rock que Felipe tinha formado em 1995 com Gustavo Ghiddini, Guilherme Tusset e Renato Bonadiman, que nunca saiu da garagem, apesar de ter três músicas próprias já ensaiadas.

• Felipe M. Guerra já tinha escrito um roteiro chamado "Ponto de Ebulição" , mas era para um longa-metragem, com diversos personagens e muitas cenas de tiroteio. Como só teria dois dias para fazer o filme, dentro do termo da aposta, ele cortou 70% dos diálogos, mutilando sua própria obra e deixando algumas partes sem muito sentido. Depois, cortou boa parte dos personagens.

• Ao convidar Mathias Gusso para participar do filme, Felipe rezou para que ele não recusasse, pois na época o único da turma que tinha câmera era ele. Mathias até pestanejou, mas no fim participou. Isso que ele namorava uma guria de Garibaldi, e precisava ir para lá na mesma tarde. Passou o dia inteiro reclamando.

• Guilherme Tusset ficou a tarde inteira acompanhando as filmagens e até filmando algumas cenas (aquela que estão todas tremidas). Como ele não parava de incomodar querendo filmar, Felipe resolveu aproveitá-lo como ator (só assim para ele parar quieto). Assim, Tusset aparece no filme como um personagem simplesmente sem pé nem cabeça, que entra em cena e morre sem nem dizer a que veio!

• Como ninguém nunca tinha lido o roteiro antes, o que já estava pobre ficou paupérrimo, com várias frases sendo cortadas na última hora porque ninguém lembrava. Em algumas cenas, dá para perceber que os atores estão olhando para baixo, tentando enxergar as frases no roteiro, colocado no chão.

"Ponto de Ebulição" começa nos créditos, filmados em papéis colados na parede (!!!), e com a música "California Ubber Alles", dos Dead Kennedys, tocando. Nesta época, Felipe ainda não sabia usar edição de som, então filmou os créditos ao lado de um aparelho de som ligado!!!!!!

• Felipe preferiu "atuar" como um dos personagens principais, Thomas, deixando o controle da filmadora com seus amigos. Foi vendo o resultado das filmagens que ele resolveu nunca mais atuar, preferindo filmar para ter mais controle sobre os ângulos e enquadramentos. Isso porque, em "Ponto de Ebulição" , não raras vezes a câmera fica minutos estática, filmando o diálogo dos personagens. Em outras, a câmera passeia tão rápido pelo cenário que não se enxerga cenas vitais. Há, ainda, o enquadramento péssimo que corta atores fora da cena.

• No momento em que os detalhes do assalto são combinados entre Gustavo Zanuz, Gustavo Ghiddini, Paulo Dalle Laste e Felipe M. Guerra, este resolveu que era melhor fazer uma cena externa, na ciclovia. Mau negócio: o vento soprando no microfone da câmera acabou com qualquer chance de escutar o que se falava. A falta de experiência cinematográfica resultou numa cena muito longa em que os quatro conversam sobre o assalto lendo o texto de folhas que estavam colocadas no chão.

"Ponto de Ebulição" tem diversos tiroteios, mas na hora de filmar virou palhaçada. Isso porque os efeitos sonoros indigentes foram feitos com estalinhos, aquelas bombinhas mixurucas que estouram jogando no chão, e fazem um barulhinho, “ptchi!”. Ficou um horror, nem dava para ouvir os “tiros”.

• Felipe deu total atenção à cena em que ele mesmo, no papel de Thomas, esquarteja o cadáver de Ronaldo (Rodrigo M. Guerra) na banheira, usando machado, serrote e tesoura de jardim. Trata-se de uma cena razoavelmente violenta, estragada pelo sangue (suco de groselha) muito clarinho. Aqui nota-se pela primeira vez alguns ângulos de câmera mais ousados, como uma visão do esquartejamento filmada do ângulo do cadáver, porque Felipe fez questão de orientar o cameraman (nesta cena, era Guilherme Tusset) sobre o que fazer.

• O roteiro original de "Ponto de Ebulição" , aquele idealizado por Felipe para ser um longa-metragem, é muito diferente: Thomas, Mathias, Lucas e Paulo são assaltantes que invadem a casa de Ronaldo, banqueiro marcado para morrer pela Máfia. Ele se prepara para fugir da casa quando os bandidos chegam. Lucas, drogado, mata Ronaldo sem querer. A partir daí, amigos e namoradas do morto começam a aparecer na casa, obrigando os assaltantes a sumirem com o corpo de um lado para o outro. No fim, acabam ficando com reféns e um corpo com a cabeça estourada. Thomas resolve esquartejar o cadáver para não deixar vestígios, mas, em uma discussão com Mathias, é fuzilado pelo amigo. Quando os três restantes se preparam para sair da casa, chegam três matadores para apagar Ronaldo. Como eles não imaginavam encontrar mais gente na casa, matam todos que encontram, inclusive os reféns, e são aniquilados por Mathias, o único sobrevivente, que sai com o carro repleto de armas. O final daria a entender que Mathias se tornaria uma espécie de "Mad Max", preparado para o que der e vier.


[NOVO]
– A NOITE DA PUNHETA ASSASSINA (1996)
• A primeira experiência cinematográfica – se é que se pode chamar assim – de Carlos Barbosa só foi acontecer em 1995, numa histórica terça-feira de madrugada, em dia, mês e hora ignorados pelos envolvidos no histórico e revolucionário projeto. Nesta época, Felipe M. Guerra e seu primo porto-alegrense, Ricardo Felicetti – que na época estava passando as férias em Carlos Barbosa (o que evidencia que a coisa aconteceu ou no início ou no fim do ano) –, foram na casa do Mathias Gusso, mais conhecido como Zema. Lá também estavam Leandro Perera, Samir Carlotto e Paulo Dalle Laste. Motivo da reunião: Zema estava sozinho em casa e, sem nada para fazer, além de coçar o saco, convocou os amigos para várias rodadas de futebol no videogame. Tudo regado, claro, com muito uísque e uma deliciosa batida alcoólica de coco que vinha em um recipiente em forma de extinto de incêndio, com as palavras "EXTINTOR DE SEDE" gravadas com letras garrafais.

• A noite teria terminado de forma inútil se lá pelas tantas da madrugada, sem nada para fazer e com a cabeça cheia de uísque, Felipe não tivesse pedido para o Zema a sua filmadora, para registrar à posteridade todos os acontecimentos daquela noite. Zema não só emprestou a dita cuja da câmera como sugeriu que eles fossem filmar algumas cenas externas, na rua. Já era umas duas da madrugada e não deveria ter ninguém no Centro, e assim o grupo partiu sem saber que iria realizar o primeiro filme - se é que dá para chamar assim - da história barbosense. Samir, esperto, picou a mula e não entrou para a história. Mas nenhum dos seus amigos envolvidos no ambicioso projeto entrou também.

• Confirmando as expectativas de Zema, o centro de Carlos Barbosa, mais precisamente o Calçadão, estava vazio. Felipe assumiu a câmera, já que sempre preferiu ficar atrás do que na frente das lentes, e o grupo se dirigiu primeiramente à pista de skate, onde fizeram uma sessão de palhaçada poucas vezes vista entre adolescentes respeitáveis – na época, todos estavam na faixa dos 15 aos 18 anos.

• Foi quando voltaram ao Calçadão que Felipe teve a idéia fatal: “Ei, vamos fazer um filme?”. Todo mundo estava meio torto e ninguém disse que não - antes tivessem dito. Rapidamente, Felipe imaginou sobre o que seria a película, totalmente improvisada e filmada na hora. A primeira coisa que lhe veio em mente foi masturbação, punheta, para ser mais exato, e em seguida mortos-vivos, uma coisa que ele sempre admirou nos filmes de terror. Sim, seria um filme de terror feito nas coxas, só para fazer e juntos darem boas risadas depois. Assim, Felipe criou "A Noite da Punheta Assassina" , uma seqüência de cenas desconexas apresentadas por um narrados (o próprio Felipe, atrás da câmera), com performances improvisadas pelos próprios atores.

• A bobagem começava assim: os quatro - Zema, Paulo, Perera e Ricardo - estavam sentados nos bancos do Calçadão se masturbando. Na verdade, a única coisa que evidenciava a masturbação era a mão por dentro das bermudas, em movimentos frenéticos para cima e para baixo. Saber se alguém estava mesmo se masturbando era difícil. A câmera passava um por um e dizia as motivações de cada. Zema era gerente de uma rede de restaurantes (na época, ele trabalhava em um bar chamado Cachorro Loco, que pouco depois fechou as portas), e era o primeiro a aparecer. Estava particularmente ridículo, com cabelo raspado, aparelho nos dentes e chinelos Rider. Paulo era um “grande contabilista”, Perera era alguma coisa que se perdeu na poeira do tempo, e Ricardo estava batendo uma enquanto falava ao telefone, em um orelhão das proximidades.

• Não havia diálogos: Felipe narrava as situações e, conforme falava, os amigos faziam suas “interpretações”. Assim, se ele falasse “De repente, começou a se contorcer de dor”, o amigo pegava, fazia uma cara de agonizante e caía morto. Era assim que funcionava a coisa.

• Subitamente, de uma hora para a outra, os quatro tinham espasmos e caíam mortos. Assim, de uma hora para a outra. E então começavam a se mexer e gemer como mortos-vivos, andando naquela clássica posição de zumbi, cambaleando e com as mãos para cima, lembrando sonâmbulos. Uma hora passou uma kombi de erva-mate e acabou também sendo filmada, com Felipe narrando que “um grupo da SWAT tentava deter os zumbis da punheta”. E foi filmando os amigos se fingindo de zumbis até a Júlio de Castilhos, depois de volta pelo Calçadão até a Rio Branco, de onde rumaram de volta para a casa de Zema. Não havia nenhuma conexão ou motivação entre as cenas, e a filmagem terminava com os quatro subindo as escadas da casa do Zema e escancarando a porta da frente. The end.

• A fita usada na filmagem era de Felipe. Depois que assistiram aquela bobajada na casa do Zema e riram um monte, ainda que não tivesse graça, o cineasta levou a fita para casa e, lá pelas tantas, achou que poderia fazer uma viagem interessante. Felipe tinha dois vídeos, que usava para fazer cópias piratas dos filmes que gostava. Lembrava de cabeça algumas cenas interessantes de filmes que poderia enxertar no que filmara naquela noite, fazendo uma história linear, ainda que idiota, e surpreendendo seus amigos com uma coisa bem mais engraçada do que eles imaginavam. Assim, na quarta-feira à noite, sentou-se em frente aos dois vídeos e começou a montagem das cenas.

"A Noite da Punheta Assassina" começava com o logotipo da Universal. Depois, aparecia os quatro se masturbando no Calçadão, como de costume, e morrendo de espasmos. Então, aparecia uma cena em preto-e-branco de um velório, retirada do filme "Plan 9 From Outer Space", de Ed Wood - por coincidência, considerado o pior filme de todos os tempos. A cena servia para mostrar que os quatro tinham sido enterrados depois de mortos. Ainda do "Plan 9", Felipe tirou uma cena em que discos voadores de quinta categoria sobrevoavam um cemitério e atiravam raios sobre os túmulos. Assim, pelo menos na cabeça do “cineasta”, estava explicado o porquê da ressurreição dos punheteiros.

• A cena seguinte foi chupada de "A Volta dos Mortos-Vivos" dublado, gravado da TV: a câmera de Dan O’Bannon passeava pelas lápides de um cemitério até que cadáveres putrefatos saíam de dentro da terra. Então, na cena seguinte, apareciam os quatro amigos se fingindo de zumbis. Uma linda montagem, que resultou em muitas gargalhadas. Na hora que aparecia o caminhão de erva-mate, Felipe enxertou outra cena de "A Volta dos Mortos-Vivos" filmada de dentro de um carro de polícia, com dois tiras pedindo reforços pelo rádio. Assim, parecia mesmo que era uma “equipe da SWAT” passeando pelo Calçadão barbosense.

• E a viagem não parou por aí: Felipe colou uma cena de "O Ataque dos Tomates Assassinos" (!), que mostrava uma mulher berrando, logo depois da cena em que os quatro zumbis entravam na casa do Zema. Assim, de uma forma hilariante, parecia que eles tinham entrado na casa e estuprado a mulher.

• Felipe não sabia como terminar seu “filme”. As cenas com zumbis tinham terminado, ele não tinha câmera, e pedir para os amigos filmarem mais algumas cenas seria ridículo, já que ninguém aceitaria tanta humilhação novamente. Eles tinham feito tudo aquilo por diversão, Felipe era o único que estava levando a coisa mais a sério do que deveria. Em uma das cenas filmadas na “festinha” na casa do Zema, enquanto jogavam videogame, o dono da casa olhava para a câmera com cara de assustado e dizia: “O que vocês fizeram com o meu carro?”. Zema tinha falado aquilo para lembrar de um filme pornográfico nacional, "Meu Pônei, Meu Amante" (!), que tinham assistido na véspera (!!). Um dos machões do filme dizia esta frase, após ver seu automóvel destruído. Felipe viu que aquela cena tinha potencial, e então fez uma montagem com cenas do Exército atirando mísseis (novamente chupadas do "Plan 9"), um carro explodindo (tirada de um filme chinês chamado "The Killer") e no fim colocou o close da cara do Zema perguntando sobre o carro. Ficou engraçadíssimo: os mísseis voando, o carro explodindo e Zema perguntando “O que vocês fizeram com o meu carro?”. Não tinha lógica, mas era engraçado.

• E como terminar o seu filme? Felipe pensou em um final apoteótico: os zumbis seriam destroçados de forma violentíssima. Assim, enxertou mais algumas cenas da festa, que mostravam os quatro “zumbis” rindo e tomando trago, e depois colou a cena do fim de "Fome Animal", que mostra um cara com um cortador de grama destroçando zumbis. Assim, parecia - pelo menos na cabeça de Felipe - que o cara tinha matado os quatro zumbis punheteiros. E antes de passar o cortador nos corpos, o cara do filme ainda dizia: “A festa acabou”. Por fim Felipe enxertou os últimos segundos do filme "Kids", que mostra um garoto olhando com cara de assustado para a câmera e perguntando: “Jesus Cristo, o que aconteceu?”. The end. Agora sim parecia um filme. Pelo menos para o “diretor”.

• Assim que ficou pronto, "A Noite da Punheta Assassina" foi exibido para os atores e para outros amigos de Felipe. Todos acharam o trabalho genial – só que não era. Depois, de uma hora para a outra, a fita desapareceu. Não havia cópias, muito menos qualquer registro de roteiro ou coisas do gênero. A primeira produção cinematográfica barbosense sumia para sempre. E ninguém jamais soube que cinco infames encenaram masturbação em pleno Calçadão da cidade numa madrugada de terça-feira. O único que ficou chateado com o sumiço da fita foi o próprio Felipe, que achava aquilo uma pérola - tinha pedido, inclusive, para o colega de trabalho Eliseu Demari fazer uma capinha para a fita no computador, com o desenho de um pênis monstruoso arrasando uma cidade ao melhor estilo Godzilla.

• Passado algum tempo, Felipe pensava seriamente em fazer mesmo um "A Noite da Punheta Assassina" mais profissional. Não improvisado, não com colagem de cenas de outros filmes, mas de forma séria, com mortes, sangue e muita piada infame. Um dia, sentou em frente ao seu computador 386 (na época, um luxo) e tentou escrever definitivamente um roteiro. Afinal, o primeiro "A Noite da Punheta Assassina" tinha sido feito de forma artesanal e improvisada e tinha ficado engraçado. Este, bem produzido, ficaria ainda mais legal. Teria, inclusive, uma cena de um cara se masturbando no banheiro, e então de repente ele teria convulsões e iria espirrar sangue por toda a parede, enquanto a câmera dava um close de seu rosto e sua boca, também babando sangue. Seria o início do filme. Após dez minutos tentando escrever alguma coisa que prestasse, Felipe desistiu e nunca mais pensou em "A Noite da Punheta Assassina" novamente. 


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