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• ENTREI EM PÂNICO AO SABER O QUE VOCÊS FIZERAM NA SEXTA-FEIRA 13 DO VERÃO PASSADO (2001)
Direção, edição e roteiro:
Felipe M. Guerra
Elenco:
Rodrigo M. Guerra, Niandra Sartori, Eliseu Demari, Marcelo Ferranti, Larissa Mazocato, Tomás André Zilli, Diego M. Guerra, Fábio Prina da Silva, Fabiano Taufer, Cintia Dalposso, Andrius Berté, Paulo Dalle Laste, Mathias Gusso, Tatiana Mantovani, Vanessa Dalcin, Kátia Hoffelder Dalcin, Clarissa Vieira Flores, Cristiane Bristot e Leandro Facchini
Duração:
120 minutos
A dramática (?) e original (??) história de um psicopata mascarado que persegue adolescentes bobalhões na véspera de sua festa de formatura é, ironicamente, o maior sucesso da Necrófilos Produções Artísticas. Esta é a prova de que o povo não quer ver filmes bem realizados, com bons e criativos roteiros, e sim o feijão-com-arroz, a matança de sempre.
Idealizado como uma sátira impiedosa aos filmes de horror, especialmente aos tolos slasher movies tipo "Pânico" ou "Sexta-feira 13", “Entrei em Pânico...”
acabou sendo encarado, também, como uma verdadeira homenagem ao gênero, na forma de citações de cenas e clichês deste tipo de filme. O roteiro foi escrito por Felipe em poucos dias e cita dezenas de filmes de horror, como "A Bruxa de Blair", "O Massacre da Serra Elétrica", "Fome Animal", a série "Prom Night", entre outros.
"Entrei em Pânico..." começa com uma sátira ao início de "Pânico", quando Cintia (Cintia Dalposso) se mete em encrencas ao atender o telefonema de um psicopata que lhe faz perguntas sobre filmes de terror. A diferença é que, ao contrário da personagem interpretada por Drew Barrymore no filme americano, aqui Cintia pode pedir ajuda aos universitários ;-)
Entregue o primeiro e sangrento esquartejamento (que utiliza até serra elétrica), o filme passa a mostrar as aventuras de Goti (Rodrigo M. Guerra) e seus amigos. Ele quer reunir a turma em casa, já que seus pais estão viajando, para fazer uma bebedeira antes da festa de formatura de todos, que estão saindo do Ensino Médio para a faculdade. Mas Goti e amigos terão dois problemas pela frente: Fabiano (Fabiano Taufer), o malvado irmão mais velho, colecionador de filmes de horror que não quer bagunça pela casa, e também o assassino psicopata, que está exterminando seus amigos um por um. E quem será o assassino?
Esta pergunta, no final, não leva a lugar nenhum, já que as grandes atrações do filme são mesmo as mortes mais fajutas que o cinema amador já criou, como enfiar uma torneira na garganta de um pobre coitado e abri-la para deixar o sangue escoar. Ou, ainda, arrancar fora as tripas de outra vítima. E que tal esmagar o crânio de um rapaz a marteladas?
As cenas grosseiras de violência explícita foram feitas com o intuito de serem mais exageradas (e engraçadas) do que propriamente chocantes, embora muito sangue seja derramado do começo ao final do filme. Felipe M. Guerra assina também os efeitos especiais, que foram feitos com a colaboração dos próprios atores.
O mais incrível é constatar que um filme com 120 minutos possa custar apenas 250 reais. Mas foi este mesmo o custo da produção, bancada por Felipe e por um dos atores, Eliseu Demari, sócios na Necrófilos Produções Artísticas.
Alguns acidentes marcaram a produção. O ator Fábio Prina da Silva, por exemplo, cortou o dedo com um estilete em uma cena “delicada” (felizmente, o dedo não caiu). Em outra cena, um carro atropelou a câmera deixada bem no meio da rua, mas por sorte não a destruiu muito.
Assim que ficou pronto, no final de 2001, o filme foi exibido em duas sessões no cinema de Carlos Barbosa, por meio de um projetor especial de imagens. Depois, a fita foi enviada para diferentes partes do Brasil, ganhando destaque em alguns sites destinados a produções amadoras ou filmes de terror (como o da Brócolis VHS e o site Boka do Inferno). Mais tarde, alcançaria reconhecimento estadual, graças ao programa "Teledomingo", da emissora gaúcha RBS-TV, e nacional, com quatro minutos de reportagem no "Fantástico", da Rede Globo.
Se o que você procura é um filme de horror sangrento e trash ao extremo, “Entrei em Pânico...”
é o seu filme. Agora, se o que você quiser é rir muito com uma comédia muito escrachada, "Entrei em Pânico..." também é o seu filme. Mas, pelo amor de Deus, tire as crianças pequenas e a vovó da sala!!!!!!!!
• PATRICIA GENNICE (1998)
Direção, edição e roteiro:
Felipe M. Guerra
Elenco:
Fabiano Taufer, Franciele Mazetti, Eliseu Demari, Evandro Pizzoli, Grace Piacentini, Janaia Piacentini, Cesar Camini, Telmo Dalcin, Volnei Nunes, Fabricia Taufer, Gustavo Ghiddini, Mateus Ghiddini, Daniel Guerra, Diego M. Guerra, Grasiela Moschetta e Felipe M. Guerra
Duração:
70 minutos
O primeiro sucesso da Necrófilos foi esta tumultuada comédia romântica realizada durante todo o ano de 1998. Acontece que o roteiro se passa todo em uma única noite, o que obrigou seus atores a filmar apenas de madrugada. Só que nem o diretor Felipe, nem os atores amadores, tinham qualquer experiência com este tipo de coisa, já que este é, oficialmente, o primeiro filme amador realizado em Carlos Barbosa – e um longa-metragem, ainda por cima!
Mas apesar de muito stress, ameaças de cancelamento de produção, inúmeras mudanças no roteiro original e contratempos diversos (atores se acidentaram e não puderam mais participar, outros cortaram o cabelo e foram também “cortados” da produção), “Patricia Gennice”
ficou um belo e divertido filme, até hoje lembrado com carinho por todos que participara e assistiram.
Trata-se de uma versão hardcore do clássico "Depois de Horas", de Martin Scorsese. Patricia Gennice (Franciele Mazetti) é a garota mais desejada de uma pequena cidade do interior. Certa noite, o jovem Lucas (Fabiano Taufer) se queixa, diretamente para a câmera, da sua falta de sorte com as mulheres. É quando a própria Patricia Gennice aparece e, graças a algumas frases muito bem escolhidas por Lucas, acaba convidando-o para passar em sua casa mais tarde.
Com um mapa da casa da musa nas mãos, Lucas vai para casa se arrumar levando o carro de um amigo. Mas é só ele botar o pé fora de casa que começa uma interminável seqüência de confusões, perseguições, correrias e mal-entendidos. O rapaz acaba se metendo cada vez mais fundo no submundo da noite da cidade, envolvendo-se, acidentalmente, com viciados, traficantes, gângsters, um assassino profissional, mulheres fatais, travestis, um homossexual superdotado e toda uma fauna de personagens estranhos (até anjos e demônios). Por mais que tente, Lucas jamais consegue chegar na casa da cobiçada garota para o seu encontro. E cada vez mais ele vai correndo risco de vida.
Uma prova radical de que o amor existe e é esquisito, “Patricia Gennice”
narra todo tipo bizarro de acontecimentos, desde massacres de bandidos até cenas de tortura. O espectador acompanha surpreso a degradação física e moral do personagem principal, que a cada minuto é mais brutalizado, violentado e torturado, mas continua com a idéia fixa de encontrar sua amada.
Com muitas cenas cômicas, outras exageradamente sangrentas e violentas, “Patricia Gennice”
é um filme diferente que já virou "clássico" em Carlos Barbosa. Foi exibido, no final de 1998, em um bar roqueiro da cidade, tendo duas sessões lotadas. Posteriormente, em 2001, foi remontado pelo diretor Felipe justamente para sua primeira exibição no cinema, por meio de um projetor especial – antes, foi exibido um trailer de “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado”.
• PONTO DE EBULIÇÃO (1996)
Direção, edição e roteiro:
Felipe M. Guerra
Elenco:
Gustavo Zanuz, Gustavo Ghiddini, Rodrigo M. Guerra, Mathias Gusso, Diego M. Guerra, Elton Demari, Paulo Dalle Laste e Felipe M. Guerra
Duração:
30 minutos
Este policial trash marcou o nascimento da produtora Necrófilos. Mas não é motivo de orgulho, já que o filme é muito amador e ridiculamente ruim (o que o torna, claro, engraçado, só que ele foi filmado para ser um filme sério!).
A verdade verdadeira é que este filme nasceu de uma aposta entre o diretor Felipe e Eliseu Demari, que em 1998 se juntaria a Necrófilos, produzindo e participando dos filmes. Eliseu apostou que Felipe não era capaz de fazer um filme amador em dois dias. Felipe tinha um roteiro de trinta páginas prontinho, chamado “Ponto de Ebulição”
,
e que misturava as tramas de "Cães de Aluguel" e "Cova Rasa".
Em um sábado à tarde, chamou os irmãos e um grupo de amigos para filmar o infilmável. Como ainda não tinha câmera, obrigou-se a rezar para que o amigo Mathias Gusso aceitasse participar da produção, pois ele era o único da turma cujo pai possuía uma câmera. Mathias brigou com a namorada para poder fazer o filme e iniciou uma parceria com a Necrófilos, aparecendo em todos os filmes posteriores.
Logo, Felipe descobriu que era impossível filmar seu roteirinho e simplesmente eliminou todas as falas e personagens, mantendo apenas a situação básica e improvisando os diálogos na hora. “Ponto de Ebulição”
é a história de quatro jovens, Lucas, Paulo, Boi e Thomas, que precisam de dinheiro para sustentar seu vício em drogas (a informação foi cortada na hora de filmar). Thomas, recém-largado pela namorada de muitos anos, tornou-se um psicopata com nada a perder (outro detalhe cortado do filme). O quarteto resolve assaltar a mansão de um bancário, Ronaldo.
O que eles não sabem é que Ronaldo roubou dinheiro de um poderoso traficante, Demari, para quem fazia trambiques. Ele está preparando sua fuga, mas Demari já colocou em seu encalço o perigoso assassino profissional Killer. Quando os quatro jovens chegam na casa para o assalto, Boi, completamente cheirado, acaba matando Ronaldo acidentalmente com um tiro na cabeça. Os amigos não vêem outra solução que não seja esquartejar o corpo para se livrar de todas as evidências.
Entretanto, as cenas de violência registradas dentro da casa afetam todos os criminosos amadores, que logo começam a entrar em conflito uns com os outros por vaidade ou cobiça, matando-se. Os que restam são eliminados por Killer, que chega à casa visando matar Ronaldo, mas resolve eliminar todos os que encontrar no local. O final é surpresa.
Felipe idealizou tiroteios à la John Woo e muita violência explícita, mas como o filme foi todo realizado numa única tarde, e ainda por cima filmado na ordem linear das cenas, ficou difícil acalmar o ânimo dos estressados atores, e assim filmou-se de qualquer jeito mesmo, com tiroteios fajutos, sons de tiros muito ruins e cenas de violência cômicas, de tão mal-feitas – a cena do esquartejamento na banheira é um clássico do trash!
Mesmo assim, surpreendentemente, o “Ponto de Ebulição”
sério tornou-se uma divertida comédia e virou cult movie para alguns jovens da cidade, que de tanto assistir à desastrada obra acabararam decorando todos os diálogos!
Em tempo: “Ponto de Ebulição”
foi filmado em um dia e editado em outro, e assim Felipe ganhou a aposta. O problema é que ele perdeu a fita com as cenas originais, o que infelizmente inviabiliza qualquer remontagem da obra, que está muito mal-editada.
Este curta nunca foi exibido em lugar nenhum, já que é muito ruim, sendo, no máximo, emprestado a alguns amigos.
• A NOITE DA PUNHETA ASSASSINA (1995)
Direção, edição e roteiro improvisado:
Felipe M. Guerra
Elenco:
Mathias Gusso, Paulo Dalle Laste, Leandro Perera e Ricardo Felicetti
Duração:
15 minutos
Uma vergonhosa picaretagem que marcou o início do cinema amador em Carlos Barbosa. Não é exatamente um filme, nem é uma produção da Necrófilos, que nem existia na época. Na verdade, trata-se de uma brincadeira feita por cinco jovens embriagados numa madrugada qualquer.
Felipe e seus amigos eram muito jovens e tinham tomado um pileque de uísque na casa de Mathias. Logo, resolveram pegar a câmera do seu pai e sair pela rua para fazer um filme amador. Felipe foi o cameraman e improvisou todos os diálogos e o "roteiro" de “A Noite da Punheta Assassina”
. Já Mathias, Paulo, Leandro e Ricardo pagaram o maior mico das suas vidas ao representar quatro jovens que morrem de tanto se masturbar. Mas um disco voador que passa pela Terra dias depois lança raios que ressuscitam os quatro punheteiros, agora transformados em zumbis sedentos de sexo, que são combatidos pelo exército.
Copiando o estilo de Ed Wood, Felipe aproveitou as poucas cenas filmadas com os amigos e montou um filminho com cenas de outras produções. O disco voador lançando raios no cemitério, por exemplo, foi tirado de "Plan 9 From Outer Space"; as cenas dos jovens se levantando dos túmulos foram tiradas de "A Volta dos Mortos-Vivos". Desta forma, costurando cenas feitas por ele com as tiradas dos filmes, Felipe pôde construir uma historinha linear, que ficou muito engraçada.
Infelizmente, algum dos atores pensou no mico que pagou e sumiu com a fita. Felipe procura por ela até hoje, mais por motivos sentimentais do que verdadeiramente pela qualidade da obra, oferecendo até recompensas para quem encontrá-la.
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